sábado, 5 de abril de 2008

O Casamento.

Aqui em Libreville acontece algo muito esquisito: as ruas não têm nome. Só as avenidas principais. Se você quer indicar sua casa para alguém, torça para que perto tenha alguma coisa que sirva de referência. Mas pode esquecer de pedir uma pizza ou comida chinesa em domicílio.

Para conseguirmos chegar ao local da cerimônia, tivemos que contar com o conhecimento de Guy (que também é da DHL) pois sem ele simplesmente não saberíamos para onde ir.

Após um verdadeiro rally, ruas esburacadas e cheias de lama, chegamos ao local da cerimônia. (Ainda bem que não estava chovendo.) Tudo aconteceu na casa onde os noivos já moram. Fomos muito bem recebidos por todos com direito a drink e tudo mais.

Mas é do lado de fora que acontece todo o babado. Bem, por falar em babado... Dá para imaginar um evento onde quase todos os convidados usam roupas feitas com apenas 3 estampas diferentes? Pois é. Isso é parte da tradição. Cada família elege uma estampa para identificá-la. E, caso um membro da família tenha laços com a outra, ele usa os dois tecidos. Vi diversos casos assim. Cada lado da camisa feito com uma estampa.

Bem, voltemos à festa. Como em qualquer cerimônia de casamento, não podem faltar os pájens. Um monte de crianças vestidas iguais, saem dançando de dentro da casa para a rua, onde esperam centenas de pessoas. Toda a cerimônia e músicas são em bantu (língua nativa). Logo em seguida vem a noiva. Também dançando, vestida, a princípio com a estampa que representa a sua família.



Depois de dizer que aceita casar com o mancebo e de receber um monte de dinheiro, ela entra em casa para trocar de roupa sob uma intensa gritaria de todos os presentes.

Após uma longa espera, ela reaparece vestida com a estampa da família dele e até o cabelo estava completamente diferente. Aí acontece o mais interessante...

Desde o início da cerimônia eu tinha notado uma montanha de caixas de tudo quanto é tipo de bebida bem no meio da tendo onde aconteceu a cerimônia. Depois de alguns rituais, membros da família do noivo começam a carregar para dentro da casa todas as bebidas. Trata-se de um presente ou dote ( não entendi direito) que uma família tem que dar para a outra. Não consigo dizer quanto de refrigerante, wisky, água tônica entrou naquela casa, além disso sacos com farinha, peixes enormes, carne, toalhas de mesa e de prato – fiquei brincando que se por acaso alguma coisa acontecesse com ela na DHL, ela pelo menos poderia montar um bar.

Quando eu pensei que já havia terminado e que já poderíamos entrar para comer, pois eu já estava morrendo de fome, começa a sair de dentro da casa uma quantidade enorme de cachos de banana, bodes, galinhas, porcos e um monte de outras coisas que nunca vi na minha vida. Colocaram tudo na frente dos noivos. Mas teve um porquinho que não gostou muito da idéia e saiu correndo, o que causou uma gritaria danada até que ele fosse capturado.


Depois me explicaram que toda esta comida que saiu e também parte do que entrou, seria distribuida para os membros das duas famílias.

E tome cantoria ! E tomo gritaria!

Finalmente à meia-noite, após cerca de 5 horas de cerimônia (só a parte que eu assisti, pois isso começou no meio da tarde), fomos para o jantar. Nem todos tiveram acesso ao interior da casa, apenas os familiares dele , uns poucos dela, alguns ministros (a família do noivo é de políticos), nós e mais alguns da DHL.


Um derramamento de vinho e champagne francês, wisky , cerveja e o que mais se tivesse vontade de beber. Jantar com entrada, prato principal e sobremesa. Confesso que os sabores não me atraíram muito, a não ser pela quirche que estava realmente muito boa, mas do resto eu não gostei muito. Mas por falta de comida nem os que entraram nem os que ficaram de fora, morreram de fome.

E tome cantoria!!! Mas desta vez era um cantor que entoava melodias africanas em sua língua nativa. Quando ele entrou na sala onde estávamos, os convidados começaram a encher os bolsos dele de dinheiro.


E do lado de fora a festa rolava solta! Todo mundo dançando, comendo, bebendo... Foi realmente uma festa com bastante fartura. Um tanto difícil de entender para quem não conhece a tradição, mas muito interessante. Saímos de lá por volta das 2 da manhã e deixamos todos lá ainda se divertindo.



sexta-feira, 4 de abril de 2008

Dondoca sem internet

Ainda não consegui me conectar ao mundo. Desde a primeira vez que vim aqui que a internet está fora. Só existe um provedor de internet e os prestadores de serviço daqui conseguem ser piores do que os do Brasil. Aproveitei um pouco da internet da DHL hoje pela manhã, mas é tão lenta que desanima. Depois disso, decidi dar um trato nos cabelos para o casamento. No caminho um engarrafamento miserável! Engarrafamentos aqui não são uma novidade. A sorte é que eu já conheço alguns atalhos, mas o trânsito aqui é muito complicado. Mas num sábado!?
Bem, 20 minutos depois, descobri que se tratava de uma comemoração. Centenas de pessoas vestidas todas com roupas feitas com o mesmo tecido. E, como prova de que o povo ama seu presidente, escolhido democraticamente, no tecido tinha a foto dele estampada! Eles entregam um pedaço de tecido para cada pessoa e ela faz o modelo que quiser. Então acho que vocês podem imaginar que a criatividade voa alto...








quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mais raios e trovoadas

Fomos convidados pela diretora financeira da DHL para seu casamento amanhã. Vai ser uma cerimônia típica africana. Estou curiosa.

No convite do casamento constam o local (não o endereço!), dia, mas não tem a hora!!! Até agora não sei se o casamento é pela manhã ou à noite.

Fomos jantar em uma restaurante italiano (???). Uma entradinha pequena no meio do mercado de peixe. Quem olha do lado de fora não consegue imaginar que lá dentro é tão agradável. Pedi uma caipirinha ahahahah! Eles fazem a caipirinha com gim e um mooooonte de açúcar! Terrível!!!! Mas a comida estava uma delícia. E o espetáculo de raios, relâmpagos e trovoadas do lado de fora estava perfeito.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Lá vai o sol

Os finais de tarde na praia sempre são muito movimentados. Sempre que saio para passear com os cachorros encontro muita gente na praia. Eles curtem realmente ficar admirando pôr-do-sol depois do trabalho. E aqui, como a praia, principalmente na região onde eu vivo, é cheia de toras de madeira que escapam dos barcos, então a areia fica cheia de arquibancadas. Só que aqui ninguém vai à praia de biquini ou calção de banho. Raros são os que usam roupa de banho para curtir a praia. Isso só se vê nas praias mais distantes.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Chegaram

Bem, já não estou mais sozinha. Chegaram Gunther, Bouncer e Yenna. O primeiro vocês já sabem quem é, os dois últimos são um macho e uma fêmea de labradores muito especiais. É engraçado ver como as pessoas (locais) olham para os dois... Na maioria das vezes é com espanto mas tem vezes que acho que eles vêem ambos em espetos de churrasco.