Encontraram a caminhonete da DHL. Estava com dois caras em um bairro distante. Acho que os africanos ainda são um tanto inocentes na arte do roubo, pois ele se deram o trabalho de tirar apenas o adesivo das portas. Só que a poeira do barro da estrada foi atraída pelo resíduo de cola dos adesivos, o que fez com que eles fossem parados pela polícia e presos.
Essa o feiticeiro acertou. Resta saber agora se o motorista está realmente envolvido.
O resto da semana passada e o início dessa transcorreu sem novidades.
Hoje Guntherme levou para a minha aula de francês mas decidi voltar a pé.Foram 45 minutos de caminhada a passos meio-ligeiros sem parada.Acho que estou precisando mais disso, já que minha bike ainda não deixou o Brasil.
Quando cheguei em casa Gunther me liga perguntando se eu queria assistir a um feiticeiro contratado pela DHL para desconbrir o culpado pelo desaparecimento da pick-up.É claro que aceitei.Eles já tinham feito isso dias atrás, só que sem a presença dos funcionários.Desta vez foram convocados todos osfuncionários que estavam no turno, além de um representante da polícia do aeroporto.
Fomos em caravana para a casa do feiticeiro.Chegando lá um monte de gente também aguardava “atendimento”, mas tivemos o privilégio de sermos atendidos antes dos outros.Primeiro foi feita uma chamada com uma lista de todos os funcionários do operacional.Ao final, decidiram colocar o nome de Gunther também na lista, mas apenas para confirmação.
Feito isso, o feiticeiro pediu o dinheiro adiantado, colocou embaixo da pele de um bicho (não faço idéia de que bicho se tratava) que estava em cima de um tapete na frente dele.
Chamado o nome do primeiro funcionário, foi dito que este estava ausente.Então ele teve que usar os serviços de um menininho de uns 6 anos no máximo.O menino foi para a frente dele, abriu os braços, e o feiticeiroo abraçou por trás com um molho de varetas em cada mão.Depois de perguntar se aquela pessoa cujo nome foi citado era culpada ou não, o menino tinha que correr para tentar se livrar das varetas.Se as varetas abrissem e ele conseguisse correr, é porque ele não era culpado.Mas se estas permanecessem entrelaçadas, é porque ele era culpado.Neste caso, as varetas abriram.
E assim foi, um a um, às vezes o próprio, quando ausente, lá ia o menininho.Tadinho, deve estar se recuperando até agora de tanto esforço.
Então chegou a vez do motorista que havia ido para a prisão: as varetas não abriram.Duas tentativas e nada.Ele ficou meio alterado...Mais alguns e chegou a vez de Gunther.Quando perguntado se seria ele o culpado, as varetas abriram (ufa!).Só que o feiticeiro pediu para que fosse citado o nome do motorista, cujas varetas ficaram fechadas para que Gunther fizesse a confimação.Desta vez quase que o feiticeiro cai, pois Gunther correu rápido demais e as varetas, mais uma vez, não abriram.
Depois disso, uma das funcionárias da limpeza que também estava presente, começou a acusar o motorista, pois, para eles, isso é mais do que suficiente como prova da sua culpa.Ela pediu então ao senhor que fizesse a pergunta se o carro ainda estava em Libreville.A resposta das varetas foi sim.Depois pediu para saber se o carro estava guardado em algum lugar, mais uma vez sim.
Para a equipe européia da DHL, isso não é prova suficiente. Mas para o lado africano sim. Agora os mesmos colegas que foram pedir a Gunther que tentasse tirar o colega da prisão, desta vez querem vê-lo longe. Eles realmente acreditam na resposta das varetas.
Na noite passada roubaram uma das caminhotes da DHL.Logo cedo Gunther recebeu uma ligação informando sobre o caso.A polícia interrogou o pessoal que trabalhou na noite do roubo e terminou por colocar o motorista na cadeia por três dias, pois ele foi contraditório no depoimento.
Dá para imaginar como é a cela de uma prisão por aqui?
Que temporal!!!!O dia amanheceu com sol, mas ao meio-dia começaram a aparecer algumas nuvens bem carregadas.Começou o aguaceiro.Muuuita chuva, relâmpago e trovoada.
Era interessante ver dentro de casa osrelâmpagos.As trovoadas eram tão violentas que portas e janelas batiam.
Quando isso acontece aí no Brasil a primeira coisa que se diz é: isso não é dia de trabalhar... É dia de ficar em casa assistindo televisão. Só que aqui chuva = fim do sinal de televisão.
Hoje, pela primeira vez aqui em Libreville, consegui acessar o MSN.Só que como alegria de gabonesa dura pouco, só consegui por alguns minutos.
Esta semana retornamos os contatos com o pessoal da Gabon Telecom para tentar resolver este problema de internet aqui em casa. Mas, como sempre, não senti confiança...